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as garotas


O que elas tem em comum? Poderia dizer que são de sagitário, mas é um pecado associar a palavra comum ao signo de sagitário, mesmo que seja para comparar coincidências. Inconstantes, independentes, autênticas, otimistas, divertidas, palhaças, difíceis de segurar. - Depende quem segura *cof* - São FOGO!

Juh

Faz História, é EXTREMAMENTE exagerada, fala muito alto, ri mais alto ainda, adora a língua espanhola [assim como as espécimes do sexo masculino que falam essa língua]. Acredita ter sonhos premonitórios [apenas os convenientes] e ama escrever.

Carollis

Faz Design Gráfico, apaixonada por fotografia, gatos [não só os animais - *cof* - Gosto compartilhado pela Juh também] ama ser taxada como inconstante, não consegue controlar seus comentários sarcásticos, além de ver 'duplo sentido' em tudo!


diversos




MEMORIES



segunda-feira, 21 de junho de 2010

When Words Blind You... - Post I

Eu tentava escrever uma resenha que um amigo de Londres havia me solicitado, mas não conseguia sair do primeiro parágrafo. Todas os dilemas que vinham tomando minha mente nos últimos dias, pareciam estar ainda mais fortes. Deitei a cabeça para trás, esfregando os olhos, demonstrando um cansaço muito mais mental do que físico, tentando não pensar em nada, clarear minha mente. Um exercício que se mostrou impossível depois de alguns minutos. Me levantei da cadeira, impaciente com tudo aquilo, pois dificilmente alguma coisa tirava minha concentração desse jeito. Andei até a pequena porta de correr que dava para o jardim comum aos moradores de meu prédio, abrindo-a e me sentando no chão, com os braços apoiados nos joelhos. Olhei para o céu, não deixando de continuar a pensar na fonte da minha desconcentração, abaixando a cabeça em seguida, para continuar a ruminar ainda mais o assunto.


Eu nunca havia pensado no quanto toda essa situação poderia se tornar insuportável para mim. Pior do que saber que eu não poderia ajudá-la, era ter a certeza de que ela estava completamente magoada comigo. Eu percebera o quanto fora errado me deixar levar em meu próprio jogo, achar que a provocação seria a chave para fazê-la despertar por completo. Pode ter dado certo de início, talvez, mas não durara muito tempo. Por mais que eu tivesse prometido a mim mesmo que me seguraria, que respeitaria o espaço dela, a promessa se tornara cada vez mais impossível.

A forma como Evanna se afastara de mim, naquele primeiro dia de aula, me mostrara que eu havia perdido a chance de me redimir, de poder me aproximar mais uma vez, de uma forma mais suave, sem críticas, sem forçar a sua libertação. Me doía pensar que por mais que eu conhecesse tão a fundo as palavras, eu as usara de forma a afastá-la e não para trazê-la para mim. Eu abusara de minhas próprias convicções, querendo que ela as compartilhasse comigo, como se eu realmente tivesse todas as respostas. Como se eu realmente pudesse ter enxergado sua alma de forma completa, quando na verdade, ela me mostrara apenas parte dela. Eu sentia que havia uma conexão, uma ligação inexplicável, mas ainda não entendia o que havia no caminho completo. E eu sabia que acima de tudo queria entender. Queria decifrar os enigmas, quebrar os obstáculos, para que eu a conhecesse por inteiro.

E por muitos dias, desde a primeira vez em que eu a encontrara, aquilo fora um mistério. Eu não havia entendido qual era a urgência em tentar ajudá-la, em fazê-la ver a verdade, em libertá-la. Mas agora eu começara a perceber o porquê de tudo aquilo e não me agradava em nada. Eu não queria externar em palavras mais uma vez as minhas respostas, quando elas finalmente vieram até mim, como medo de que elas pudessem machucar mais uma vez. E por mais que tivesse sido tão difícil, que eu tivesse que chegar ao ponto de machucá-la, a promessa de respeitá-la e me segurar, até que fosse seguro agir de novo – ou mesmo esquecer tudo aquilo – agora era uma regra. Uma regra dolorosa e difícil, mas que tinha que ser seguida.

E assim eu agi pelas duas semanas que se seguiram a nossa primeira aula. Ao mesmo tempo em que ela parecia fugir de mim, eu me mantinha em meu lugar, procurando agir com um distanciamento seguro que um professor deveria ter para com um aluno. Por mais que ela não fosse qualquer aluna, não fosse qualquer pessoa, era o mais sensato a fazer. Eu evitava as perguntas diretas para qualquer um ali, como forma de não parecer que eu queria excluí-la, quando na verdade eu queria evitar me deixar entrar em qualquer confronto. E estava disposto a evitar qualquer convite de Matheson ou Taylor, que me fizesse encontrá-la fora da sala de aula.

Era bastante claro para mim que eu não conseguiria ficar alheio, por inteiro. Eu a observava em silêncio. Mas seu jeito reservado me impedia de lê-la de longe, de saber o que ocorria na sua vida naquele momento. Só que eu tinha a certeza de que se algo tivesse mudado ou estivesse mudando, eu perceberia. Eu sabia que sim. E me deixava mais agoniado perceber que as coisas continuavam do mesmo jeito. Não era isso o que eu queria e se tornava cada vez mais torturante me manter afastado e calado.

Cada partícula do meu pensamento havia sido invadida a cada dia que se passava, enquanto um sentimento de impotência acompanhava essa jornada. Será que aquilo teria fim? Eu teria paz e conseguiria deixá-la seguir o seu caminho sem pensar no que aconteceria com ela dali para a frente? Essa era a coisa mais sensata a se fazer, esquecer tudo isso, cortar o mal antes que ele se enraizasse mais. Era nisso que eu deveria me concentrar.

Mas eu não poderia simplesmente tentar sair da vida dela assim. Eu tinha que me explicar, mostrar que a minha intenção era boa. Eu tinha que me desculpar... Por mais que isso também exigisse uma aproximação, o que era perigoso, mas eu tinha que ter a chance de me redimir. Não poderia ser tão difícil como parecera desde então.

Respirei fundo, levantando a cabeça e pensando que eu deveria avisar Jimmy que eu demoraria um pouco mais para entregar a sua resenha. Levantei de um salto, como se aquele movimento súbito pudesse me distrair, mas é claro que não seria tão fácil assim.

Me sentei em frente ao meu computador mais uma vez, abrindo uma janela para digitar uma nova mensagem, quando uma ideia pulou em minha mente. Eu tinha o e-mail dela e sabia que se eu medisse, escrevesse, lesse e relesse as palavras, não seria difícil me segurar e eu conseguiria me desculpar, sem causar mais danos.

Estralei os dedos, com uma pontada de expectativa dominando meu corpo. Mas nada tão intenso que pudesse mobilizar qualquer outro sentimento. Olhei para a tela em branco por alguns segundos e deixei as palavras me dominarem mais uma vez. Elas fluíam de forma fácil, como se todo o tempo fossem elas que quisessem sair de mim. Parei algumas vezes, retomei alguns pontos, tentando ser o mais razoável e gentil possível. Quando terminei, reli cada palavra com atenção:


”Evanna,

São tantas as palavras que poderiam expressar o quanto eu me arrependo de não ter respeitado o seu pedido e me afastado ainda na noite em que te vi pela segunda vez... Mas ao mesmo tempo, eu sei que apenas um pedido de desculpas não basta. Desculpar-se nunca é suficiente, quando o dano já foi infringido. É um ato, ainda que em parte, hipócrita já que ninguém faz qualquer coisa a outra pessoa sem uma razão. E ninguém, antes de qualquer ação, pensa que o resultado dela precisará de desculpas, pois se assim pensasse, não o faria. Portanto, não existe razão em me desculpar com você sem tentar lhe explicar o que me levou a me meter em sua vida, em primeiro lugar. E talvez eu nem seja digno de que você aceite minhas desculpas.

Desde o seu desabafo aquele dia no trem, uma sensação estranha tomou conta de mim. Eu não sei se foi a conexão que encontrei em seus olhos ou se o pedido mudo por ajuda que eu vi neles, apesar de saber que você não queria, mas algo me ligou a você, á sua causa, aos seus problemas, de maneira inexplicável.

É da minha natureza não aceitar que as pessoas não sejam livres. É da minha natureza também, criticar, ir a luta por mudanças. Meu espírito se inquieta, minha mente trabalha dobrado, meus sentidos ficam tomados por uma cegueira sem fim, até que eu atinja o meu objetivo.

E o meu objetivo dessa vez, pelo menos quando parte de minhas dúvidas foram resolvidas, era lhe mostrar que não há sentido em viver uma vida dessas quando você parecia não querer estar nela. Mas olha eu aqui julgando outra vez, mesmo que seja no passado... Eu não sou digno de lhe mostrar o que é preciso fazer para que sua vida mude e muito menos posso me deixar entender que é isso o que você quer. Eu não conheço todos os seus dilemas, não estou a par de tudo o que lhe impele a continuar tudo isso, por mais que pareça lhe machucar. Portanto, não tenho o direto de lhe julgar.

Não serei mais um que te diz o que fazer, não serei mais um que desrespeita as suas vontades, não serei mais um que poderá te machucar...

Adam.


Enviei a mensagem, sem a esperança de que ela me respondesse e muito menos com a certeza de que eu conseguiria tirar todo aquele peso das minhas costas.




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